Retorne ao SPIN

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A mídia brasileira não defende liberdade de expressão, por Miguel do Rosário

Sugerido por Webster Franklin
Por Miguel do Rosário
ScreenHunter_5470 Jan. 18 09.21
É preciso enterrar esta mentira.
A mídia brasileira não defende a liberdade de expressão.
Nem absoluta, nem parcial, nem nenhum tipo de liberdade de expressão.
A única liberdade que a mídia conhece é aquela que lhe interessa comercialmente.
A mídia brasileira não deu quase nada sobre a sonegação da Rede Globo.
Houve um sinistro pacto de silêncio em torno do assunto, apesar de envolver 1 bilhão de reais, roubo de processo e lavagem de dinheiro em diversas off shore no exterior.
A mídia brasileira apoiou o golpe, sustentou a ditadura e se enriqueceu à margem de um regime totalitário que censurava, matava e prendia quem tinha coragem de se expressar livremente.
Além disso, a liberdade de expressão não existe num regime de monopólio.
O sistema de comunicação brasileiro não é democrático e, portanto, não é livre.
E se não é livre, não existe liberdade de expressão.
O poder de poucas famílias sobre tvs, rádios e jornais, não encontra paralelo no mundo democrático.
O arcabouço legal, após o fim da lei de imprensa, também não colabora para a liberdade de expressão.
Ricos e poderosos podem processar judicialmente qualquer um que lhes incomode. Como não há lei, depende-se da opinião de juízes, que infelizmente ainda formam, no Brasil, um estamento patrimonialista a serviço da classe dominante
É o caso, por exemplo, de Ali Kamel, que processa vários blogueiros, por conta de ninharias. Ninguém lhe chamou de ladrão. Ninguém ofendeu sua família. Ninguém o desrespeitou como pessoa.
Houve apenas humor, chiste e, no meu caso, uma crítica política ao chefe do jornalismo do maior monopólio da América Latina.
Não existe liberdade de expressão nem na própria mídia.
Se alguém elogiar um político do qual a mídia não gosta, é demitido.
Se alguém fizer uma charge crítica ao político que a mídia gosta, é demitido.
O jornalismo brasileiro encontra-se cada vez mais oprimido por um patronato sectário.
Não há liberdade nenhuma!
Enquanto todas as profissões liberais se expandem no Brasil (médicos, advogados, arquitetos, etc), o jornalismo declina.
Os salários são cada vez menores, há cada vez menos empregos. Os jornalistas se sentem cada vez mais oprimidos nas redações.
Não podem pensar, não podem falar, não podem desenhar, não podem sequer desabafar nas redes sociais.
Quer dizer, podem desabafar sim, desde que o desabafo seja agradável aos patrões!
Podem falar o que quiser, desde que toquem conforme a música dos barões da mídia!
E agora a mídia brasileira, uma mídia monopolista, conservadora, golpista, astutamente, toma para si a bandeira de Charlie, um jornalzinho nascido na luta contra os monopólios, contra os conservadores, e que sempre defendeu, de verdade, a democracia.
No enterro de Charb, seus amigos cantaram a Internacional, a famosa canção revolucionária, com os punhos erguidos, e Jean-Luc Melechon, uma das principais lideranças da esquerda francesa, fez o discurso principal.
Melechon foi o candidato a presidente da Frente de Esquerda, nas eleições de 2012. É um homem público extremamente sério e respeitado pela esquerda européia.
A esquerda francesa defende a Palestina, defende os imigrantes, defende todas as minorias, lança candidatos muçulmanos, contra uma direita cada vez mais racista, cada vez mais reacionária quando o tema é imigração.
A nossa mídia nunca fez um “Globo Repórter” em detalhes sobre o socialismo francês, que inclui um sistema tributário progressivo, leis sobre a herança e sobre as grandes fortunas, educação e saúde públicas para todos.
O socialismo francês hoje está em crise inclusive por seus excessos, e pelos vícios do próprio homem. Por exemplo, há 25 anos, o Estado francês, a partir de conselhos de psicanalistas, começou uma nova política em relação aos órfãos. Ao invés de orfanatos, as crianças eram alocadas em famílias que receberiam auxílio do Estado para criá-las. Resultado: uma quantidade crescente de famílias que rejeitavam os filhos quando este completavam 18 anos, e o Estado parava de pagar o auxílio.
Os terroristas do atentado são um exemplo. Eles foram criados por famílias que recebiam auxílio do Estado, e foram rejeitados em seguida, ingressando no mundo do crime e, depois, aderindo ao terrorismo.
A mídia brasileira é uma talentosa alquimista. Ela consegue inverter tudo. No primeiro dia da ditadura, os jornais diziam que a democracia tinha voltado.
Transformaram a democracia de Jango em ditadura, e a ditadura em democracia.
E agora transformam um jornalzinho comunista-libertário de Paris em ícone da sua visão distorcida, monopolista, hipócrita de liberdade de expressão!
Os chargistas do Globo apenas podem fazer charges que corroborem a linha reacionária do jornal.
Nenhum chargista do Globo tem ou terá liberdade de expressão para praticar uma arte livre e irreverente!
Sobretudo se a crítica deriva de uma ideologia socialista, anarquista ou libertária, como era a dos chargistas do Charlie.
Ao contrário, a mídia demite imediatamente qualquer empregado que tenha manifestação de livre pensamento, sobretudo se esta liberdade se volta em defesa da classe trabalhadora.
O controle da narrativa permite à mídia criar um universo paralelo, para dentro do qual até mesmo a esquerda se vê abduzida.
No afã de ser contra a mídia, muitas vezes fazemos exatamente o jogo dela.
A mídia, malandramente, pegou o discurso de liberdade de expressão, que é um discurso vencedor, e passou a defender um Charlie e uma França que sempre representaram tudo que a nossa mídia não é: socialista e libertária.
No grande jogo da geopolítica mundial, um jogo hoje profundamente midiatizado, a mídia brasileira quer posar ao lado dos vencedores, mesmo que estejamos falando de um jornaliznho comunista e libertário de Paris.
No fundo, ela age certo.
A esquerda, neste caso, é que pode ter cometido um erro, ao se deixar levar por um pensamento binário (a mídia é favor, então sou contra), permitindo que a mídia brasileira se finja de paladina de valores que ela, a mídia, historicamente, nunca defendeu: a democracia e a liberdade de expressão.
A mídia brasileira, tal como ela é hoje, se consolidou na ditadura.
Jornalzinhos como Charlie Hebdo, havia de montão no Brasil na década de 60, atendendo a atmosfera da época, profundamente libertária. Todos foram censurados. Os jornalistas e chargistas só encontraram emprego em dois ou três jornais do eixo Rio e São Paulo.
Sem concorrentes, sem outros jornais, empresas como Globo e Folha passaram a dar as cartas na opinião pública brasileira, durante décadas, e sua influência cresce vertiginosamente após a redemocratização.
Os poucos artistas do texto e da charge que sobreviveram à hecatombe da ditadura e às terríveis crises econômicas das décadas de 80 e 90, tiveram que se tornar submissos intérpretes do pensamento patronal.


Em suma, temos que deixar isso bem claro: a mídia brasileira é exatamente o contrário de tudo que se pode chamar de liberdade de expressão.

Petrobrás responde ao pig sobre refinaria de Abreu e Lima



http://www.jornalggn.com.br/noticia/petrobras-responde-a-jornal-sobre-prejuizos-de-abreu-e-lima

Como os blogs progressistas trabalham para a velha mídia, por Edson Furlan

Os blogs em geral, e os de notícias particularmente, são os novos e mais ameaçadores concorrentes dos tradicionais veículos comunicação.
Embora isso seja claramente percebido pela grande mídia e fique nítido na forma como agem em relação aos blogs, estes últimos, pelo contrário, parecem não ter percebido o papel que hoje desempenham. Inadvertidamente publicam conteúdos ora promovendo a grande mídia, ora prestigiando seus operadores.
Num período em que mais e mais brasileiros passam a ter acesso à internet e a se aventurar em mares por eles nunca dantes navegados, os blogs – em especial os progressistas – antes de apontar novas rotas para esses navegantes, terminam por direcioná-los para retrógrados destinos, levando-os a ter por referência e admiração totens há muito desacreditados.
Antigos e novos concorrentes
É pouco provável que ao ligar o televisor você encontre uma emissora transmitindo reportagens produzidas pela concorrente local. Improvável também que encontre em um jornal matérias provenientes de seu principal adversário comercial. Da mesma forma, dificilmente encontrará nesses veículos conteúdos produzidos por blogs da internet.
A razão disso é simples, reproduzir aquilo oriundo do concorrente é fazer gol contra: num só lance reconhece-se publicamente o valor do concorrente, sua competência, qualidade e ainda direciona para ele a audiência.
Com os blogs a situação se agrava. Por estarem no formato de páginas de internet podem ser acessados por todos os sistemas operacionais e pelos mais variados aparelhos conectados à internet (computadores, netbooksnotebookstablets, celulares, TVs etc.).
Seu formato multimídia (com textos, tabelas, imagens, áudios, animações, vídeos) enriquece e torna mais dinâmica e agradável a experiencia do usuário. A conectividade dos blogs com as redes sociais e a integração entre aplicativos presentes em tablets e celulares permitem que nesses dispositivos os conteúdos dos blogs sejam rápido e facilmente compartilhados com outros usuários. Que sejam copiados para arquivos ou aplicativos; armazenados no aparelho ou em memórias externas (reais – pendrives, ou virtuais – nas nuvens); ou transferidos de um aparelho para outro via bluetoothwi-fiNFC e assemelhados.
Levando em conta apenas esse conjunto de vantagens os antigos veículos de comunicação já teriam muito que se preocupar com a simples existência dos blogs. Acontece que em acréscimo a isso há o fatal golpe lançado na espinha dorsal desses e de outros veículos: a quebra dos monopólios de publicação e divulgação de conteúdos.
Se antigamente era preciso ter competência, contatos e/ou recursos para ter algo publicado – seja em jornais, revistas, livros ou outros instrumentos de divulgação -, hoje basta criar umblog e lá publicar o que se tem dizer. Não é preciso muitos recursos (dá até mesmo pra fazer tudo sem gastar um real), não requer q.i. (quem indica) e nem mesmo excelência naquilo a que se propõe publicar.
Um escritor, um pesquisador, um fotógrafo, um jornalista, um cozinheiro, um determinado profissional ou um indeterminado amador não precisam mais recorrer à editoras, instituições, entidades ou empresas para tornarem público o conteúdo produzido.
Os blogs de notícias geram uma preocupação adicional para os antigos veículos de comunicação: muitos deles são capitaneados por profissionais com longa experiência, cujas carreiras e formação se deram justamente nesses antigos veículos.

Novos e velhos símbolos

O temor que pequenos Davis derrubem gigantes Golias ocasiona um comportamento padrão da grande mídia em relação aos blogs:
1. Um mundo inexistente. Pretender dar a entender que os autores de blogs não produzem conhecimento ou conteúdos relevantes. A princípio blog serve apenas para entretenimento.
2. Crítica indireta. Quando pretendem refutar alguma publicação de blog, não citam a página que pretendem negar. Indeterminam o criticado, como se tratasse de algo difuso, de uma minoria, não tendo alguém que pudesse ser ouvido e não dando margem a pedido de direito de resposta.
3. Aqueles que não devem ser mencionados. Quando falam de pessoa certa se referem a ela de modo incerto.  Não dizem quem é, não mencionam seu nome, não dão crédito quando este é devido.
4. Desqualificação profissional. Quando não há como deixar de citar nominalmente a pessoa, procuram desqualificá-la. Omitem qualificações relevantes, seja sua formação, sua experiência profissional, atividade desempenhada ou biografia, chamando-a de blogueiro financiado pelo governo.
5. Desqualificação civil e profissional. O “blogueiro” deixa de ser blogueiro e passa a ser identificado como profissional determinado quando publicam penalidade sofrida ou adversidade vivida. Objetivo: causar dano à imagem do indivíduo.
Em vista disso, como agem os blogs diante desses e do comportamento desses concorrentes?
1. Reproduzem dia sim, outro também, textos provenientes desses veículos de comunicação.
2. Citam dia sim, noite também, a opiniões e comentários dos profissionais que trabalham nessas empresas, por mais irrelevantes que sejam as coisas que eles digam ou superficiais, parciais e sistematicamente incorretas e desmentidas pela realidade dos fatos as análises que realizam.
3. Promovem, indiretamente, esses veículos.
É bom lembrar que à medida que o país se desenvolve e as regiões se desenvolvem a grande velha mídia – hoje proveniente de São Paulo e do Rio de Janeiro - a cada dia perde influência para as produções regionais.
Na verdade, fora do sudeste a maioria dos brasileiros nem sabe da existência dos grandes jornais do Rio e de São Paulo.

Novos navegantes

Um contingente enorme de brasileiros que não lê jornais e revistas está adentrando na internet e passa agora a ter a oferta de um mundo de notícias.
Ao invés de os blogs possibilitarem novas referências a esses internautas acabam, por descuido, é direcionando os incautos para as velhas oligarquias midiáticas. Eles precisam direcionar seus leitores para outros blogs e sítios que estejam desvinculados da velha mídia oligárquica, precisam propiciar o ambiente no qual os navegantes possam tomar para si novos referenciais para a obtenção de informação e conhecimento.
Os blogs devem promover os verdadeiros pensadores, os reais e relevantes formadores de opinião que transbordam na rede. Se tantas pessoas meritórias já falecidas ou das quais somos contemporâneos pensaram ou hoje debatem construtivamente sobre nossa história, nossa realidade e sobre os caminhos do mundo, por que então reproduzir inadvertidamente aqueles operam em sentido contrário?
Com os blogs podemos fazer mais pelas futuras gerações, podemos dar-lhes novos referencias.
Para isso os blogs precisam estar cientes que são os novos veículos de comunicação, se estabelecerem como novos referenciais de informação e conteúdo, se reconhecerem como concorrentes diretos e caminho alternativo à grande mídia.
E tratar o concorrente como um concorrente.

Apagão hídrico: Escolha o seu discurso

http://www.jornalggn.com.br/noticia/crise-hidrica-e-governo-alckmin-escolha-seu-discurso-preferido


http://www.jornalggn.com.br/noticia/pesquisadora-diz-que-crise-hidrica-em-sp-e-falta-de-eficiencia-do-estado

O modus operandi da midia para ocultar o apagão hídrico em SP

http://www.jornalggn.com.br/blog/wilson-ferreira/o-genio-do-chefe-shang-inspira-dedo-durismo-midiatico-na-crise-hidrica