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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A incrível e triste história de Rodrigues e sua defesa dos barões da mídia

do Brasil 247
Jornalista Fernando Rodrigues, que foi recentemente demitido da Folha de S. Paulo, publicou um levantamento com informações equivocadas sobre investimentos publicitários realizados por empresas estatais na mídia e desqualificou os veículos de internet; ele, no entanto, tenta viabilizar o projeto de jornalismo online 'Política.com', claramente inspirado no sucesso editorial e comercial de veículos digitais pioneiros; procurado por 247, ele não se posicionou sobre quais serão as fontes de financiamento do seu empreendimento na internet; ao distorcer informações, fez o lobby da imprensa familiar, que vem perdendo relevância nos últimos anos
 
247 - O jornalista Fernando Rodrigues, recentemente demitido da Folha de S. Paulo, saiu a campo, nas últimas semanas, com uma ideia fixa na cabeça e o bolso vazio.
Rodrigues, como fazem vários empreendedores, buscava investidores para um projeto que ele acredita ter grande potencial de retorno para eventuais parceiros: o 'Política.com', um site eletrônico de notícias, com foco em política e economia.
Aparentemente, Rodrigues se inspira em veículos digitais pioneiros, que vêm tendo sucesso editorial e comercial, como é o caso do 247.
No entanto, nesta semana, às vésperas da divulgação de uma pesquisa pela Secretaria de Comunicação do governo federal, que revela o crescendo peso da internet no consumo de notícias (o levantamento será divulgado nesta sexta), ele publicou uma reportagem na Folha que deu o que falar – mas não pelos motivos que ele imaginava. O tiro, na realidade, saiu pela culatra.
A pretexto de atacar sites de notícias não-alinhados com a imprensa familiar, ele revelou que, nos últimos dez anos, R$ 15,7 bilhões foram investidos em publicidade oficial pelo governo federal – dos quais um terço nas Organizações Globo, além de outros tantos milhões nas empresas dos Frias, dos Civita e dos Mesquita.
Em seu blog, hospedado no Uol, Rodrigues também publicou informações falsas sobre a audiência dos veículos de internet. No caso do 247, citou 367 mil visitantes únicos/mês, quando os dados do Google Analytics, de 17 de novembro a 17 de dezembro deste ano, apontam 1.873.055 visitantes únicos, 4.783.887 visitas e 10.261.935 páginas vistas. Isso sem falar no alcance de 3 milhões de pessoas por semana, estimado pelo Facebook.
Talvez desapontado com as respostas que recebeu em suas prospecções junto ao mercado, na tentativa de captar recursos para o 'Política.com', Rodrigues fez o jogo das empresas da mídia familiar. Quem sabe, interessado num futuro emprego de comentarista político junto aos Marinho, aos Civita ou aos Mesquita, uma vez que os Frias o consideram caro demais para a função que exercia na Folha.
Antes de publicar esta reportagem, procuramos Fernando Rodrigues com as questões abaixo, que ele, até agora, preferiu não responder:
1) Quando você pretende lançar seu projeto "Política.com"?
 
2) Qual será a equipe e quais serão as fontes de financiamento?
 
3) Você recorrerá a anunciantes públicos ou apenas a anunciantes privados?
 
4) No caso de anunciantes privados, você já buscou alguma assessoria de imprensa para fechar possíveis parcerias?
 
5) Entre seus parceiros, você considera a hipótese de se alinhar a grandes grupos empresariais, como por exemplo, empreiteiras ou empresas de telefonia?
 
6) Havendo um eventual alinhamento com grupos empresariais, de que maneira você pretende manter sua independência editorial?
 
7) Você considera legítimo que congressos da Abraji, entidade de jornalismo investigativo, tenham apoio do empresário Carlos Jereissati, que já foi associado a grampos clandestinos, como o grampo do BNDES (uma reportagem sua, que permitiu a ele se tornar dono da Oi sem ter colocado dinheiro na privatização)?
 
8) Ao medir a audiência de portais como Uol, que hospeda seu blog, você retirou o volume de visitantes únicos gerados por canais de sexo, relacionamento ou mesmo acesso a emails?
 
9) Como você enxerga o processo de transformação da mídia no Brasil e no mundo?
 
10) Quando, no seu entendimento, jornais impressos deixarão de circular?

A mídia e um possível golpe no Brasil, por Tadeu Porto


Artigo do Brasil Debate
Por Tadeu Porto
Alguns setores da sociedade brasileira já se articulam há muito tempo para realizar uma derrubada de um governo democraticamente eleito, seja por impeachment ou mesmo “intervenção militar”: houve tentativa nas eleições desse ano, pode haver tentativa em 2018 e, nesse meio tempo, qualquer oportunidade que aparecer, mesmo em forma antidemocrática, certamente vai ser usada.
Demonstram-se, aqui, pelo menos três características genéricas de uma intervenção nesses moldes:

diagrama midia1
O conceito ilustrado acima é muito abstrato e a sua formulação pode ser tão vaga que chega a ser difícil enxergar alguma verossimilhança com nosso contexto atual.
Contudo, existe um braço muito poderoso na sociedade brasileira que pode dar a essas variáveis capacidade suficiente para qualificar um verdadeiro golpe: a mídia.
A mídia tem certa facilidade para atacar a democracia, pois conta com alta influência (como 4º poder) e não se submete a avaliação sistemática da população por meio de eleições e nem à competitividade de mercado, por ser um oligopólio.
Com a inserção da mídia, tem-se um retrato mais fiel ao que existe no País hoje:
diagrama midia2
As reformas progressistas e a opinião pública: a distorção da carga tributária, a participação popular bolivariana e o boicote ao plebiscito
Existem reformas cruciais para o desenvolvimento brasileiro, tanto para a diminuição da desigualdade social – a igualdade social é característica intrínseca de qualquer país com alta qualidade de vida -, quanto para melhorar as ferramentas democráticas e fortalecer nosso sistema político.
A motivação da mídia e de certos setores da sociedade atual é, assim, barrar essas reformas para que eles continuem a gozar dos benefícios e privilégios que têm por estarem no poder.
Exemplos de debates imorais sobre a reforma tributária e política são fáceis de encontrar na grande imprensa: Fernando Haddad, prefeito de São Paulo (SP), sofreu por sua tentativa de distribuir de forma socialmente mais justa o IPTU de São Paulo; a participação popular foi demonizada pela mídia e o plebiscito sobre uma constituinte única para a reforma política foi brutalmente ignorado.
Não surpreende, portanto, que boa parte da população brasileira seja contra as reformas, mesmo sendo o retorno totalmente positivo para o País.
Essa rejeição não ocorre por acaso, uma vez que ela foi bem construída pela mídia na medida em que as discussões acerca das reformas são realizadas.
A justificativa altruísta de dizimar a corrupção do País
A tarefa da imprensa aqui é atrelar as práticas de corrupção ao PT como se um partido somente fosse o culpado pelas ilegalidades praticadas no Brasil.
Assim, tem-se a justificativa perfeita de se acabar com esse mal apenas com a derrubada do governo. E a mídia faz isso sem o menor pudor, fugindo de um debate honesto (com raras exceções) sobre os vícios que ocorrem em todas estruturas do País, do privado ao público, nos três poderes e em qualquer nível.
Assim, parece normal chamar um mensalão de petista, mas se o PSDB comete algo parecido, vira “mensalão mineiro”. Se existe algum escândalo do governo federal, imediatamente ele ganha um marketing negativo para divulgação (vide “Petrolão”) mas se o ocorrido for do governo de São Paulo a mesma tática não se aplica.
Como bem apontou o atual governador gaúcho, Tarso Genro, generalizar a corrupção é uma tática fascista, de que a grande imprensa, propositalmente, usa e abusa.
Os heróis de capa de revista e seus seguidores contra a “vilania” petista
A construção de um “antipetismo” pautado no ódio e na intolerância tomou proporções tão grandes, que é comum encontrar manifestações extremamente violentas contra militantes (ou até simpatizantes) do Partido dos Trabalhadores.
Desse modo, fica mais fácil fazer a população se manifestar contra um partido somente, mesmo sendo nosso sistema político pluripartidário e complexo (com diversos tipos de coalizão).
Ademais, a imprensa ajuda a pintar certos agentes políticos como verdadeiros heróis quando lhe convém, como Gilmar Mendes, que já foi um coitadinho ilegalmente grampeado; Demóstenes, o mosqueteiro da ética; Caiado, libertador de cubanos e Bolsonaro o “exército de um homem só”.
Com esse apoio midiático, nossos “heróis” conseguem agir de maneira antiética sem serem questionados.
Sendo assim, é de se esperar que não pareça estranho Aécio agir como um candidato, apesar da sua recente derrota e, assim, continue tento visibilidade e prestígio. Não é difícil abstrair, assim, que 12 pedidos de impeachment possam parecer algo estreitamente normal.
A linha cíclica: o poder midiático em excesso e a falsa liberdade de expressão
Uma característica importante do nosso quadro atual, representado no desenho pela linha cíclica, é uma vantagem enorme que a mídia tem de recontar e adaptar muitas vezes a mesma história e, assim, tentar manter sua imagem imparcial e, consequentemente, seu prestígio.
Exemplos clássicos são fáceis de observar, como a bolinha de papel do Serra (que o jornal nacional teve que inventar um rolo de fita para se safar) e as manifestações de junho que, num momento era uma “briga fútil por vinte centavos” mas, depois de virar ameaça para a presidenta, virou um protesto legítimo e necessário.
E é incrível ver como a imprensa faz disso um ciclo, preparando, ainda, a sua própria defesa ao formar opiniões em massa.
A mídia criou, por exemplo, uma grande distorção do conceito de liberdade de expressão (como bem pontuou Nassif em sua entrevista para o filme “O mercado de notícias”) e, assim, consegue justificar suas ações acima de qualquer questionamento e regras, mesmo sendo ilegais e antiéticas.
Se existe hoje a possibilidade de golpe no Brasil, certamente a principal força dessa ação vem da nossa imprensa oligopolizada e mal regulada. Sem a democratização dos meios de comunicação, combater atitudes golpistas no País será como querer acabar com um formigueiro sem atacar a formiga rainha.

O embargo de Cuba e a bobagem da bolivarização

Não há nada de mais "bolivariano", "cucaracho" no Brasil do que os grupos de mídia. Espelham-se nas técnicas, no aspecto gráfico dos países desenvolvidos, mas reproduzem, em todo seu subdesenvolvimento, seus congêneres sul-americanos, especialmente os venezuelanos.
Quando um país alcança determinada posição internacional, a diplomacia e a geopolítica tornam-se peças intrínsecas no seu planejamento estratégico. E o chamado jornalismo de opinião participa com discussões aprofundadas da elaboração e refinamento das estratégias.
De certa forma, houve os primeiros ensaios nos anos 70, quando os "barbudinhos" do Itamarati sonharam em criar uma zona de influência brasileira na África e na América Latina. Nos últimos anos, tentativas de investida na África, Oriente Médio e ampliação da influência na América Latina.
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A lógica da diplomacia comercial é fria e objetiva.
Um país estabelece afinidades diplomáticas com outros. O passo seguinte é transformar a afinidade em relações comercias e estratégias geopolíticas. É quando a mera afinidade começa a render frutos. O peso de um país, na diplomacia internacional, é diretamente proporcional ao número de países que consegue carregar para suas causas.
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Nos últimos anos, o governo Dilma abandonou a ofensiva diplomática. Mas o Brasil já havia conseguido estender sua influência sobre a América Latina, África e Oriente Médio e com bons frutos comerciais. A Venezuela tornou-se a maior compradora de produtos brasileiros, aumentaram as exportações para o Oriente Médio e empreiteiras e agronegócio brasileiros preparam-se para entrar na África.
Em países com imprensa desenvolvida, os jornais ajudariam a discutir os aspectos da estratégia diplomática, as perdas e ganhos no campo internacional e comercial.
Por aqui, virou Fla x Flu primário, tatibitate, como se, estreitando relações comerciais com a Venezuela, ou a Bolívia, o Brasil importaria, também, as ideias "cucarachas" - para usar o termo do lord José Serra.
Criou-se um falso dilema: ou a Venezuela ou os Estados Unidos.
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Ora, mesmo que o país decidisse se alinhar diplomaticamente com os Estados Unidos, nosso maior trunfo seria o aumento da influência na América Latina.
Essa estratégia ficou congelada. Da parte do governo Dilma, pela indiferença em relação ao tema; do lado da mídia, para poder explorar até o último limite o padrão Rupert Murdoch de produto jornalístico.
A lógica dos grupos de mídia é eminentemente comercial. Vale para a chamada imprensa sensacionalista e vale para o jornalismo de opinião.
Cada tema é analisado como "produto" comercial para entrega imediata. Embrulham o tema em retórica de fácil aceitação para seu público. Se o público engoliu a história da "bolivarização" que lhes seja entregue o produto, da mesma maneira que jornais sensacionalistas entregam mulheres peladas na capa.
Foi assim com a estratégia brasileira para Cuba. Desde o início, o objetivo foi explicitado: conquistar espaço na reconstrução da economia cubana, assim que o embargo econômico fosse levantado.


Agora, saúda-se o tirocínio brasileiro. O efeito-manada ordena que seja louvado por alguns dias. Depois, toca a retomar o tema da bolivarização novamente.

COMO O GOVERNO DO PT BANCA A PIOR MÍDIA DO MUNDO

Flávio Dino usará meios alternativos de comunicação

Flávio Dino usará meios alternativos de comunicação

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/flavio-dino-monta-nucleo-anti-pig-local-para-enfrentar-reacao-dos-sarney-perda-de-privilegios.html

Lula não tem tríplex no Guarujá. Nova matéria do Globo é inverídica

Autor: Eduardo Guimarães


triplex capa

O Globo voltou à carga sobre o apartamento “tríplex” que o ex-presidente Lula teria no Guarujá, adquirido em consórcio formado pela cooperativa Bancoop. Há dez dias (7/12), o jornal “denunciou” que, em 2005, sua esposa, dona Marisa, teria comprado, via Bancoop, cota de um apartamento de três pisos em um condomínio no Guarujá, na praia das Astúrias.
O jornal afirmara que “(…) O Edifício Solaris, onde a família Lula da Silva tem apartamento, ficou pronto em dezembro do ano passado. A reforma do apartamento 164 é tocada por seu filho Lulinha, segundo funcionários do edifício, e foi vistoriada por dona Marisa o tempo todo. Ela mesmo providenciou a decoração do local, visitado por Lula apenas três vezes (…)”
O Globo ainda deu outros detalhes do negócio, afirmando que “(…) A família Lula construiu um elevador privativo para levá-los do 16º ao 18º, que, no projeto original, tinha apenas escadas internas. Lulinha usou também parte do quarto de empregada e um canto da sala para fazer um escritório. Mandou também colocar porcelanato em tudo. A cobertura com piscina também recebeu uma boa área gourmet (…)”
Em nota divulgada pelo Instituto Lula, o ex-presidente negou as informações.

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Eis que, nesta quarta-feira (17), o jornal O Globo publica uma segunda matéria sobre o assunto, afirmando que “Mulher de Lula pegou as chaves de tríplex no Guarujá em junho”. No texto, o jornal repete as afirmações do texto anterior e dá informação nova, de que a entrega das chaves teria ocorrido “em junho” para dona Marisa.
Sempre segundo o jornal, “(…) A informação é de moradores do condomínio, que também pegaram as chaves de seus apartamentos naquele dia, distribuídas pela OAS, a construtora que finalizou as obras do empreendimento(…)”.
O jornal, desta vez, deu nome aos bois ao menos nessa afirmação da entrega das chaves, ao contrário do que fez ao citar “obras” no “apartamento 164” do edifício Solaris que teriam sido conduzidas por “Lulinha” e pela esposa do ex-presidente, história que O Globo atribuiu a “moradores do prédio” e a “um dos funcionários do condomínio” cujos nomes não cita.
O jornal diz que a versão sobre ter havido entrega das chaves a dona Marisa teria sido informada por “(…) Lenir de Almeida Marques, casada com Heitor Gushiken, primo do ex-ministro Luiz Gushiken, morto em 2013 (…)”, pessoa que adquiriu um dos apartamentos daquele empreendimento.
O jornal concluiu a segunda matéria sobre o “tríplex” afirmando que “(…) Questionado sobre o fato de que dona Marisa já pegou as chaves, o Instituto Lula se recusou a comentar e informou apenas que continuaria valendo a nota que publicou em seu site na última sexta (…)”
O Blog fez sua apuração sobre o caso e dessa apuração decorre o que vai a seguir:
1 – A “família Lula” só tem cota de uma unidade do edifício Solaris. Não tem imóvel naquele empreendimento. Pode até vir a adquirir, pois o pagamento dessa cota dá direito, mas, até o momento, não fez essa opção.
2 – Se O Globo quiser, pode ir ao cartório de registro de imóveis do Guarujá verificar se algum apartamento do edifício Solaris está em nome de qualquer pessoa da “família Lula” e, assim, descobrirá que não existe tal apontamento nesse sentido.
3 – Lula e sua família visitaram algumas vezes um empreendimento do qual tinham cota. Todavia, isso não significa que sejam proprietários do imóvel. Apenas vistoriaram imóvel do qual pagaram uma fração do valor, fração que lhes dá opção de comprá-lo ou ter de volta o que foi pago.
Este Blog apurou o caso meticulosamente e, diante disso, afirma que o jornal está tentando fazer prevalecer uma versão que não condiz com a realidade, simplesmente porque não quer aceitar que deu uma informação que não pôde e não poderá confirmar.

Porque os grupos de mídia atacam os blogs

Na edição de ontem, a Folha publicou um resumo dos gastos de publicidade das empresas públicas. Entre os mais de 5 mil veículos programados, o jornal definiu uma curiosa subdivisão: as verbas dos grupos de mídia e as verbas dos blogs e jornais online independentes - classificados como "aliados do governo".
Na relação de mídia há rádios, sites de todos os tipos, revistas semanais ou revistas especializadas. Por que a fixação nos blogs - e em revistas independentes, como a Carta Capital - que receberam parcelas ínfimas da publicidade pública?
Essa implicância se explica por dois fenômenos centrais na crise dos grupos de mídia.
O monopólio da audiência
O primeiro deles é o fim do monopólio da audiência.
Na era pré-Internet, havia enormes barreiras de entrada a novos grupos de mídia.
Na imprensa escrita, nunca houve competição, pela necessidade de investimentos a se perder de vista; na televisiva e radiofônica, pelo cartório das concessões.
Quando começou a diversificação editorial no mercado de revistas, montou-se uma estrutura oligopolista, um pacto entre grupos de mídia e agências de publicidade (em torno do Bônus de Veiculação) que tem como agente legitimador o IVC (Instituto Verificador de Circulação).
Quando começou a cair a tiragem da Veja, um dos estratagemas consistia em prorrogar a assinatura, mesmo sem o consentimento do assinante e mesmo sem pagamento. Ou então proceder a uma vasta distribuição de assinaturas. Tudo entrava na conta das assinaturas pagas – a métrica que vale para medir tiragem. O custo da distribuição compensava mais do que a queda proporcional no faturamento publicitário.
No caso das TVs, o agente legitimador é o IBOPE. No último ano houve uma queda radical da audiência da Globo. Há suspeitas no ar de que essa aceleração da queda foi uma espécie de encontro de contas, ante a iminência da entrada de novos medidores de audiência e também da venda do IBOPE para um grupo internacional.
Até então, as agências de publicidade admitiam anunciar apenas em veículos auditados ou pelo IVC ou pelo IBOPE.
Com a Internet, duas maneiras deixaram de existir: a barreira da audiência e a barreira dos medidores de audiência.
A audiência de qualquer site ou blog pode ser auditada em tempo real por sistemas do Google ou por sistemas mais especializados. E o mercado de mídia deixou de ter audiências segmentadas por veículos.
Mais que isso, foi invadida por novas modalidades de sites e portais, parte deles apenas de venda mas todos disputando a publicidade online.
A Internet rompeu definitivamente as barreiras entre a mídia e outros setores. A disputa por públicos passa por sites de compras, portais de entretenimento, grupos religiosos, torcidas de futebol. Todos esses grupos se acotovelam na Internet disputando públicos e publicidade.
O anunciante quer resultados. O que vende mais carro ou imóvel: uma publicidade em jornal impresso, em um site jornalístico ou em um portal especializado? O anúncio de uma geladeira é mais eficaz na página interna de um jornal ou no site de uma loja de departamentos?
Esse é o drama: portais de comércio online ou de outros tipos de audiência passaram a competir no mercado publicitário com os grupos jornalísticos.
O ranking da Alexa (o mais conhecido medidos de audiência em Internet) traz dados surpreendentes sobre o Brasil.
Na lista dos 25 sítios de maior audiência do país, os quatro primeiros são de redes internacionais: Google brasileiro, Facebook, Google internacional, Youtube. Só então aparecem dois brasileiros: Uol e Globo. Na sequência, quatro estrangeiros: Yahoo, Live (antigo Hotmail), Allexpress, Youradexchange. Na 10o posição o Mercado Livre; na 13a o Netshoes; na 16a o Megaoferta. Só então a Abril na 17o. Por alguma razão não entraram Buscapé – que tem enorme audiência.
Nos Estados Unidos, os dois últimos bastiões da imprensa – os anúncios de produtos nacionais e os classificados – já migraram para outros veículos digitais.
O monopólio da informação/opinião
O que resta para os grupos de mídia? O último diferencial, exaustivamente explorado por Rupert Murdoch: o uso despudorado do poder de opinião.
O mercado de opinião é composto de diversos subgrupos homogêneos: operadores de direito, igrejas, torcidas de futebol, políticos, militares, sindicalistas, movimentos sociais.
A força maior dos grupos de mídia está na sua influência sobre os grupos centrais de poder: mundo jurídico, político, militar e econômico.
Embora numericamente desimportantes, esses grupos é que decidem políticas econômicas, influenciam decisões judiciais, aprovam leis e controlam o próprio aparelho do Estado - e, através dele, mantendo o controle sobre as grandes compras públicas do seu mercado, dentre as quais publicidade, assinaturas, livros didáticos etc., além de regalias no tratamento fiscal, com sucessivos perdões de dívida, inacessíveis às empresas comuns.
Por isso mesmo, é um terreno defendido a ferro e fogo, com uma gana dos antigos coronéis nordestinos.
Dia desses conversava com o presidente de um grande grupo nacional, que já entrou em diversos setores. “Em cada setor, me dizia ele, as empresas já existentes nos tratam como concorrentes. No caso da mídia, qualquer ensaio de entrada e já somos tratados como inimigos”.
Pois justamente esse centro derradeiro de influência foi invadido nos últimos anos pelos zumbidos de um enxame de abelhas, os blogs.
Antes, o mercado de opinião era subdividido entre a linha noticiosa dos jornais e seus colunistas. Nas décadas de 90, ainda sob os efeitos da marcha das diretas e da redemocratização, esse modelo permitiu uma razoável diversidade e uma relativa autonomia dos colunistas.
A partir de 2005 encerrou-se o pacto e os grupos de mídia montaram sua          estratégia de guerra, visando a conquista do poder político. Aboliu-se o contraditório dos jornais, o direito de resposta. E passou-se a recorrer às reportagens como armas de guerra, sem preocupação até com a verossimilhança das informações veiculadas.
Esse modelo era de mais difícil aplicação nos anos 90 graças a algum espaço para a metacrítica jornalística. Quando o pacto aboliu as críticas entre jornais e entre colunistas, a imprensa perdeu o rumo. Não havia mais riscos em serem desmascarados mesmo nas matérias mais estapafúrdias.
Perdeu a diversidade e  os grupos de mídia - ainda influentes - passaram a falar para uma audiência restrita e hidrófoba, deixando ao relento os leitores mais qualificados, formadores de opinião.
É aí que surgem os blogs, cumprindo a função do colunismo sem amarras, valendo-se do poder de disseminação de informações da Internet. Basta um blog desmontar uma reportagem da grande mídia para o artigo se espalhar como rastilho pela blogosfera.
Pela primeira vez, a mídia se viu frente a críticos que transitavam na mesma plataforma tecnológica. Antes, o enfrentamento se dava via mimeógrafo, xerox e cartazes.
Estratégias de desqualificação
Os blogs têm audiência e atuam no creme do mercado de opinião: os formadores de opinião, que transitam entre blogs mais à esquerda e mais à direita para formar sua opinião. É um público qualificado, de adultos, bancarizados.
Muitos dos blogs tentam se estruturar como empresas. Como tal, alugam escritórios, contratam jornalistas, contatos publicitários etc.
Os ataques dos jornais - nítido na matéria da Folha - consistem em explorar a desinformação dos seus leitores, tratando o faturamento publicitário como se fosse uma mesada a uma pessoa física e não a compra de um espaço publicitário do mesmo nível daquele oferecido pelos grandes grupos jornalísticos.
Ou então, desqualificando a posição dos blogs. Mesmo que existam críticos do governo, não vale a crítica pontual – ou o elogio pontual. Só se aceita o padrão de guerra total dos grupos de mídia. E não se tolera o contraponto ao que a mídia publica.
Obviamente a desproporção de forças é imensa assim como a força de coerção preservada pelos grupos de mídia.
Tome-se o caso dos Correios em 2013 – com informações extraídas das planilhas da Secom.
Os Correios estão no centro do fogo da Lava Jato. Hoje em dia, é a empresa pública mais vulnerável, com estripulias diversas nas licitações internas, no aparelhamento e no Postalis, seu fundo de pensão.
Jamais mereceu uma reportagem mais aprofundada, apesar de fartamente citado nas declarações de Alberto Yousseff.
E essa blindagem é garantida diretamente pela maneira como distribuir suas verbas.
Em 2013, empenhou R$ 544 milhões em verbas publicitárias.
Desse total, destinou R$ 46 milhões para a TV Globo; R$ 3,3 milhões para a Editora Globo; R$ 1,4 milhão para a CBN; R$ 8,6 milhões para os canais a cabo da Globo; R$ 9 milhões para a rádio Globo.
Dentre os impressos, destinou R$ 5 milhões para a revista Veja; para as demais revistas da Abril, mais R$ 2 milhões.
Não incluiu nenhum veículo online alternativo para não incorrer na ira dos grupos de mídia.
Mas não se livrou desse fato da estratégia defensiva da sua diretoria ser apontada, porque não existe mais a blindagem pretendida pelo pacto da mídia.